Explanação sobre o Yôga Antigo

Hoje resolvi escrever de uma forma vasta mas ainda assim resumida sobre a nossa prática de Yôga. Aproveitando para fazer alguns esclarecimentos sobre alguns pontos sobre os quais as vezes sinto que as pessoas têm dúvidas.

O que é o Yôga?

O Yôga tem várias ramificações,  apresentam-se neste momento no Ocidente tantas variadas  como vontades podem existir… daí nasce  a grande confusão sobre o Yôga !

Ocidente  sempre aproveita a oportunidade de tirar vantagem…

Se temos vários ramos é porque temos então uma árvore pois sem árvore não haverá troncos e   ramos !

A árvore da qual partem todos esses troncos e ramificações chama-se Yôga Antigo, Yôga de Shiva, suas raízes, sua origem, prepare-se para a transliteração do Sânscrito :

 “ Dakshinacharatántrika-Niríshwarasámkhya Yôga.”

No nosso centro utilizamos a forma de ensino do Yôga Antigo ( Swásthya Yôga ) que contém dentro de si todos estes troncos ( partes do Yôga antigo )

                            Ásana Yôga, Rája Yôga, Bhakti Yôga, Karma Yôga, Jñána Yôga, Laya Yôga, Mantra Yôga, TantraYôga.

Destes 8 troncos principais, há 10 anos na minha formação na Universidade de Yôga era estudado que na altura haviam já mais de 108 variedades  que tinham se ramificado destes 8 troncos …isto só para ter uma ideia da criatividade ocidental na deturpação  do verdadeiro e legitímo  yôga !

As características principais do Yôga Antigo são:

Sua prática extremamente completa, integrada por oito modalidades de técnicas;

  • a codificação das regras gerais de execução;
  • o resgate do conceito arcaico de sequências encadeadas sem repetição;
  • direcionamento a pessoas identificadas com esta proposta;
  • a valorização do sentimento gregário;
  • a seriedade superlativa; a alegria sincera;
  • uma lealdade inquebrantável.

 

A nossa prática apresenta-se quase sempre de forma heterodoxa adequando as partes que a constituem às turmas que se apresentam. Pois Yôga é para todos, homens e mulheres de qualquer idade ( recomendo mais de 6 anos, antes é um pouco difícil !!! ), religião ou crença! Pois Yôga não é religião! Foi considerado pela Onu em 2016, Património Imaterial da Humanidade.

Será o profissionalismo do professor que terá que estar em acção para adequar a prática ao grupo que se apresenta para aula. O importante é termos diariamente uma prática balanceada isto contribuirá para uma melhor harmonia e equilíbrio na vida das pessoas, tanto a nivel fisico, como mental, emocional e espiritual ( energético ). Nascendo assim uma filosofia de vida também na vida do praticante tal como o yôga no fundo é ! Uma Filosofia de vida prática.

Se é prático, é ação, se é ação é energia em movimento ! Se está em movimento vai nos fazer movimentar e sobretudo sair da nossa zona de conforto…

Começamos a sair do nosso “ aquário ” e a termos acesso a todo o oceano. Traduzindo a metáfora abrirmos a nossa mente, como Einstein dizia a nossa mente é como uma páraquedas funciona melhor aberta!

Tal como o páraquedas temos que também abrir e, tal como o páraquedas cada um vai ter que perceber quando deve puxar o cordão para abrir o páraquedas, às vezes é mesmo uma questão de sobrevivênvia, de saúde…

Yôga  é uma filosofia de vida, que nos ajuda a ter  uma vida balanceada e integral também!

Como isso acontece ?

Através de pilares como a disciplina,  não violência, verdade, respeito, sinceridade, aceitação, etc. ( no fundo as normas  éticas ).

Quando iniciamos a prática começamos pelos exercícios mais físicos ( ásanas ), que se apresentam em aula quase sempre em sânscrito por uma questão de vibração e de tradição no ensino. Pela nomenclatura das técnicas muitas vezes se percebe se o professor tem uma formação legitima de ensino. A tradução do nome das técnicas é uma ocidentalização.

Por outro lado o corpo físico é a cristalização de inclinações mentais profundamente enraizadas, enquanto a mente, por sua vez é o reflexo do corpo e o armazém das impressões a que temos acesso através dos sentidos.

Ao iniciarmos a prática dando nas primeiras aulas mais atenção ao físico o objectivo é quebrar a cristalização e ficarmos mais predisposto  à nossa interioridade, ou conhecimento de quem na realidade nós somos .

Além da maior parte das pessoas pensar que o Yôga é uma resposta para as “ mazelas do trivial diário ” a verdade é que não é, embora tenha um efeito direto no seu dia a dia. Mas só poderia ter, pois assim que começamos a praticar e só por aprendermos a respirar conscientemente já acrescentamos vida e energia ao nosso corpo.

Os benefícios do Yôga podem ainda ser visto de duas formas.

  • Beneficios Espirituais ( Energéticos )
  • Aprender a activar e regular os seus chakras, reduzir o stress, gerir emoções, conhecimento dos seus vários veículos de consciência
  • Melhora relacionamentos de trabalho, sociais,
  • Etc

 

Beneficios físicos :

  • Aumento da flexibilidade e tonificação da musculatura
  • Fortalecimento do sistema imunológico
  • Melhora rendimento nos estudos, actividades físicas, artísticas, intelectuais.
  • Controlo da respiração e consequentemente das emoções,
  • Etc .

Conforme o seu desenvolvimento interior os benefícios podem surgir primeiro numa ou outra área da sua vida, não importa , mais cedo ou mais tarde eles surgem sempre, pois o corpo é sábio e conforme as suas necessidades presentes e seu mérito pessoal elas podem surgir numa ou outra área primeiro. E nada no universo é desprovido de mérito ou é  injusto…

Tenha Paciência !

 

Se analisarmos bem a maior parte das pessoas na nossa sociedade  concluímos que estão 90 % do seu dia para não dizer 98% hoje em dia  é virado para o exterior,  virado para a opinião da sociedade, para os media, para o consumismo, para o ego …

 

São poucas as pessoas hoje em dia que pensam em constituir família, em ter uma relação duradoura…aquilo que devia ser a estrutura do ser humano parece que se foi perdendo derivado à não atenção nas nossas necessidades interiores…

 

Vamos dando depois conta que olhamos pessoas já na casa do 30 / 40 e muitas vezes estão sem orientação. Estão até preenchidas de trabalho mas dentro de si existe um vazio…

Está a conseguir acompanhar-me ?

Vamos voltar a apanhar a ponta que deixei lá atrás, então Yôga não é só uma resposta às mazelas do trivial diário mas sim uma resposta à equaçãoo cósmica, de onde vim , o que faço aqui e agora e para onde vou … ( agora complicou..!? )

 

Não é fácil entender as pessoas e, as pessoas muitas vezes se entenderem a elas mesmas hoje em dia, falta-lhes parar e observarem-se a si mesma, perguntarem-se ” quem sou eu “…?

Os nossos filhos quando vêm alguêm pela primeira vez não perguntam…” mãe quem é ? Saber quem somos também é realmente importante para nós mesmos, afinal a nossa criança interior  também tem essa curiosidade !

È aqui como ferramenta de auto conhecimento que se apresenta esta arte,  ” Yôga” .

Os mestres desta arte Antiga, codificaram assim  algumas técnicas que no passado os conduziram também a eles as estas respostas sobre si mesmo. São técnicas que precisam de ser repetidas com disciplina, com autenticidade, com presença, com observação, as vezes até com devoção, para alcançarmos o objectivo e termos a lucidez sobre nós mesmos e o mundo que nos cerca. Quando se atinge este objectivo os mestres deram o nome de Sámadhi, hiperconsciência, auto conhecimento, auto realização.

Tal como um arroz que colocamos ao lume e precisa de um tempo médio, num lume brando para cozer que pode ser de 20 minutos, também a prática precisa de um tempo médio, com uma disciplina média de prática para acontecer algo dentro de nós….

Mais uma vez tal como quando o arroz está pronto, simplesmente está…também com  o yôga se passa a mesma coisa…simplesmente é / está !

Falando assim parece tudo muito fácil, mas é fácil! Foi apenas uma analogia para se saber posicionar para você mesmo e não entrar em conflitos internos, crises existenciais ao longo do caminho .

Pratique , deixe fluir e não fique em “ fanatismo finais ”…não vale apena, o caminho tem que o sempre fazer, agora depende como escolhe fazer…

Se temos que ter paciência até o arroz estar cozido…Ah e se  for arroz integral…aí o tempo é bem mais longo para cozer, já tive uma experiência de 90 minutos para fazer um risoto com arroz integral para um jantar…( começou e acabou um jogo de bola e o arroz continuava lá durinho, foi uma grande paciência mas estava ótimo diga-se de passagem ! ) assim é conosco e com o nosso caminho de auto conhecimento. Demora a ficar no ponto e se formos “ durinhos ”, pior ainda!

Então concluímos que temos que ter paciência, e a paciência traduz-se também por não gerar expectativas, usando as palavras do Swami Vishwananda, precisamos de ter amor, unidade e paciência para atingirmos a nossa auto realização. Precisamos também de ser guiados, estamos a fazer um caminho interior e não exterior, enquanto não tivermos a nossa luz interior como uma chama flamejante diária para nos iluminar internamente é difícil o fazermos sozinhos, pois os obstáculos vão aparecer e a  incompreensão do que está a suceder internamente vai-se manifestar. Nada como ter alguém que nos acenda a luz enquanto caminhamos. Por isso a necessidade de instrutor, de um professor, de um mestre neste caminho. Diga-se de passagem como em qualquer area da vida, em qualquer profissão …

Tive sempre e tenho  regras comigo desde o inicio…” presistência, determinação, disciplina, atenção ao meu sentir interior e não há minha mente, veracidade nas minhas acções, humildade de ouvir os mais experientes…e muita, mas  muita paciência ! Assim é o Yôga, o caminho de auto conhecimento prático!

Para concluir :

Yôga é universal, e não excluí ninguém, mas nem todos têm a paciência de estar consigo mesmos ! Eu direi até que Yôga é o seu verdadeiro momento consigo mesmo de ligação à fonte, à sua origem, ao criador foi este o caminho de volta que os mestres do Yôga passaram através da via oral aos seus discípulos e mais tarde Patânjali vem a codificar no Yôga Sutra. Uma escritura antiga que só à medida que vamos evoluindo na nossa prática conseguimos entender as informações lá escritas. Este foi o código de segurança que este sábio “ mestre” utilizou para as informações não caírem na banalidade e ao mesmo tempo não se perderem.

 

Era meu objectivo explicar de uma forma simples e abrangente ao mesmo tempo o que é o Yôga, espero tê-lo conseguido.!

Se complicou peço desculpa …

Sabe que mais, Yôga apesar de ser imensa ” coisa ” pode-se resumir a  :

Yôga é à cessação da instabilidade da consciência!

Para isso usamos técnicas ancestrais com mais de 5000 anos, passadas por mestres desta área que atingiram a estabilidade da consciência.

Shiva foi o primeiro mestre desta arte a atingir o objectivo, a ele reverencia mos em todas as aulas na parte inicial, também denominada de ” púja”, a parte mais importante da nossa prática, muitas vezes o que faz a diferença entre o exercício meramente fisico e o feito com uma consciência mais ampla! Yôga!

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